Tenho a inquietação do pesquisador, do cientista, do inventor. Talvez eu seja ainda de um tempo em que arte e ciência se fundiam na tentativa de compreender e explicar o ser humano. Gosto de conhecer e viver o processo de transformação das coisas, com ou sem a interferência humana. Máquinas, equipamentos e ferramentas despertam em mim profundo interesse pelas invenções em si, e também pelo poder que têm de transformar as coisas. Junto coisas. Coleciono-as como se estivesse construindo um dicionário próprio que me vale como repertório e referência para o meu trabalho. Sou movido pelos processos enquanto pesquiso, desvendo, descubro, crio. É como se estivesse sempre em viagem, sem saber para onde, mas isto não me incomoda. O que me importa é a viagem. É no presente que encontro temas para o meu trabalho. Das sugestões que se apresentam ao acaso no meu dia a dia, aceito as que me mostrem a possibilidade de pesquisa. Então, vou em frente, retiro véus, investigo, destrincho o tema até onde o processo me levar. Uns temas duram pouco tempo, outros vão e voltam e alguns permanecem, por isto as imagens que crio retratam o meu olhar sobre as pessoas, a natureza, o mundo e seus processos de transformação. A fotografia tem sido o principal foco do meu trabalho. No exercício desta arte posso aliar meu interesse por equipamentos e respectiva evolução à possibilidade de registrar os temas por mim escolhidos e ainda criar a imagem como um novo objeto, também sujeito a transformações.
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